Vivemos sem dúvida uma época de forte crise económica, que despoleta outras mais graves ao nível dos valores e regras sociais. O excesso de boa-vontade de alguns e a inoperância de outros, conduzem a sérias dificuldades de articulação, conjugação de esforços e rentabilização de recursos existentes, cujas consequências são a criação de subsídio-dependências em largas centenas de pessoas, que passam a encarar os apoios como forma de ganhar a vida, e o esquecimento de todos aqueles que não estão inscritos em qualquer lista do “sistema”.
Só um verdadeiro trabalho em rede, no âmbito do Conselho Local de Acção Social, poderá rentabilizar esforços e recursos em projectos de apoio social sustentáveis que permitam uma intervenção estruturante que conduza à diminuição da pobreza. Ao Município, enquanto parceiro na rede social, compete dinamizar, coordenar e criar plataformas de entendimento e acção entre todos os intervenientes.
Em reunião de câmara de 28 de Dezembro alertei o executivo PSD para o facto de estar a desperdiçar recursos e dinheiro em iniciativas desgarradas de apoio que não resolviam problemas de índole social e nem sequer chegavam aos mais carenciados, não passando algumas dessas acções de meras operações de charme político, como por exemplo, distribuir livros de receitas de culinária económica a 200 famílias que, a serem de facto carenciadas, agradeceriam antes pão para a boca.


João Carlos Pereira, Vereador

 
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